Amor de Mel

Esse é um miniconto de Dividindo Mel, meu primeiro livro publicado. Se você nunca leu Dividindo Mel ou Confissões On-line, não tem problema! Pode ler do mesmo jeito.

Esse conto se passa após Dividindo Mel e antes de Confissões On-line: Bastidores da minha vida virtual. Ele narra o primeiro dia dos namorados de Melissa e Mateus, de forma bem fofa, leve e humorada. É um presentinho para meus leitores, simples, mas com todo carinho. Espero que gostem!

Se você preferir, pode fazer download do conto em PDF ou ler no Wattpad. Para ler o conto, é só clicar em “leia mais”. Divirtam-se 🙂

Eu tinha bastante experiência nessa história de dia dos namorados.

Quer dizer, eu tinha uma extensa lista de ex-namorados – dez, para ser mais precisa –, então tive muito tempo de prática até atingir a perfeição. Sim, perfeição! Agora eu tinha certeza que todos os meus namoros foram um test-drive para quando encontrasse aquele com quem queria estar para o resto da vida. Pela primeira vez eu tinha certeza do que estava fazendo e não estava me jogando do precipício sozinha.

Estava namorando Mateus há quase seis meses, mas acho que desde o primeiro dia – quando ele me surpreendeu com o pedido mais lindo de todos –, fiquei pensando quando poderia fazer uma surpresa à altura. E existia dia mais perfeito que 12 de junho? Não, não existia.

— Onde posso deixar isso? — Perguntou Mariana, parecendo agitada. Eu tinha convidado – na verdade, obrigado – minha irmã a me ajudar, já que não tinha mãos o suficiente para levar tudo que precisava para preparar a surpresa do Mateus. — Tenho que ir no shopping comprar o presente do Dudu.

Minha irmã segurava uma caixa com todos os itens que havia levado para decorar o apartamento do meu namorado. Minha sogra – que era uma pessoa maravilhosa e merecia um lugarzinho no céu, bem longe de parecer com aquelas bruxas que a TV retrata – havia me emprestado as chaves do apartamento para aprontar tudo enquanto Mateus estava na faculdade, dissecando cadáveres ou seja lá o que as pessoas faziam na faculdade de Medicina.

Apontei para o canto da sala e Mariana largou a caixa ali, sem o menor cuidado. Não estava com disposição de me estressar, por isso perguntei:

— Você ainda não comprou o presente dele?

— Estava ocupada.

— Com o quê, Mariana?

— Pensando o que eu ia vestir pra gente sair hoje à noite, claro!

Minha irmã tinha dezesseis anos e estava no segundo ano do Ensino Médio. Ela era muito diferente de mim – enquanto eu era uma romântica incorrigível, Mari era prática e não passava muito tempo se preocupando com romances ou surpresas.

— Você precisa ser mais romântica, se não quiser perder o seu namorado para outra — orientei, com toda a minha sabedoria de quem já tinha levado pés-na-bunda o suficiente para dez vidas.

— Não acho que amor se demonstre com corações de cartolina ou presentes caros, Melissa — respondeu minha irmã, fingindo uma sabedoria muito avançada para sua pouca idade. Não que eu fosse muito mais velha que ela, de qualquer forma.

Dei de ombros. Ela que se preocupasse com seu próprio namoro. Tinha mais o que fazer da vida!

— Você que sabe. Pode ir que daqui pra frente cuido de tudo sozinha.

Não precisei falar duas vezes: Mariana virou as costas e disparou para o shopping. No que dizia respeito a fazer compras, se um dia ela fizesse corpo mole para isso havia algo muito errado.

Comecei a espalhar os enfeites pela sala e fiz um mural super-romântico com fotos dos nossos seis meses de namoro e outras desde a nossa infância. Mateus sempre foi meu melhor amigo. Quando olhava nossas fotos antigas, percebia quanto amor sempre esteve entre nós dois. Eu era a única que não enxergava isso.

Assim que terminei a decoração da sala, entrei no quarto de Mateus. Como sempre, estava tudo organizado com uma precisão cirúrgica. Meu namorado era bem mais caprichoso que eu!

Eu tinha separado um presente e uma carta para deixar em cima da cama dele. Mas de repente fui tomada por uma curiosidade arrasadora: queria saber o que ele tinha comprado para mim!

Vasculhei todas as gavetas e nada. Nenhuma dica, nada. Será que Mateus tinha esquecido? Era impossível. Ele lembrava de tudo, além disso tinha me chamado para fazer um programinha a dois aquela noite. Eu precisava descobrir.

Deixei a carta e o presente em cima da cama e continuei a vasculhar as gavetas. Estava tão distraída, procurando algo que denunciasse o que ele havia planejado, que demorei alguns segundos para sentir um cheiro forte vindo da sala.

Parecia que algo… estava queimando!

Corri para a sala, deixando todas as gavetas abertas e os rastros da minha pesquisa inocente para trás. Quando cheguei na sala, entrei em pânico: eu havia esquecido a pistola de cola quente na tomada. A cola derreteu e o fio também, por algum motivo que só Deus sabia!

O cheiro de queimado era muito forte. Fui tirar a tomada do interruptor, mas mal consegui tocar: queimei meu dedo só de chegar perto.

Pensei em cobrir com um pano e puxar quando o pior aconteceu: uma faísca seguida de fogo.

Abri a porta do apartamento, desesperada, e saí gritando pelo corredor:

— Fogo, fogo, alguém me ajuda!

Um dos vizinhos abriu a porta, assustado:

— O que aconteceu?

— Tá pegando fogo… No meu aparta… no apartamento do meu namorado!

Ele saiu em disparada pelo corredor e quando entrou no apartamento, viu o fogo prestes a queimar a toalha novinha da minha sogra,

Se ela ainda não me odiava, eu tinha acabado de dar motivos para tal. Eu estava acabada, ferrada, ferradíssima!

— Vamos jogar água! — Gritei.

— Não, moça, tá doida? — Rebateu o homem. Ele era bombeiro, por acaso? Fogo se apagava com água, eu tinha visto na televisão.

Corri para a cozinha e voltei com uma jarra. Estava prestes a jogar na toalha quando o homem segurou meu braço.

— Não faz isso! Vai piorar tudo.

Ele puxou a toalha e jogou no chão, depois pisou em cima dela, tentando apagar o fogo.

— Não fica aí parada, pega o extintor no corredor!

Meio sem saber o que fazer, abri a porta e corri procurando onde estava o extintor de incêndio. A fumaça já havia chegado ao corredor e, assim que consegui tirar o extintor do suporte, os sprinklers ligaram automaticamente e o alarme do andar começou a soar.

As portas se abriram e as pessoas começaram a sair de seus apartamentos, assustadas, enquanto eu permanecia no corredor segurando um extintor de incêndio – e ensopada àquela altura do campeonato.

Quando voltei ao apartamento, entreguei o extintor para o vizinho salvador, que já havia contido metade do desastre. Ele manuseou a bugiganga com maestria, apagando todo o desastre.

Assim que olhei para a porta, metade do prédio estava nos encarando. Inclusive o porteiro, que sabe-se lá Deus como, havia conseguido subir e buscava entender o que estava acontecendo.

— Está tudo bem, gente, foi só um curto, mas já controlei — disse o vizinho.

— Chamei os bombeiros, eles estão vindo dar uma olhada — contou o porteiro, tranquilizando os moradores. — Vocês podem voltar pro apartamento, está tudo bem.

Olhei para o estado da sala – não estava nada bem! Quando o vizinho puxou a toalha, ele derrubou os enfeites. A parede tinha ganhado uma marca preta por causa da fumaça e uma das almofadas foi detonada. Imagino que ele tenha usado para tentar conter o incêndio.

Minha surpresa de dia dos namorados estava destruída.

— Melissa?

Mateus estava parado na porta, sem entender nada. Era dia de aula de anatomia na faculdade, por isso ele estava de branco dos pés à cabeça. Inclusive seu rosto, que havia perdido toda a cor quando viu a cena à sua frente.

Foi o suficiente para que eu debulhasse em lágrimas.

Eu tinha planejado o dia dos namorados perfeito e de repente tudo que podia dar errado, deu.

— O que foi, Mel?

Mateus me abraçou, na frente do porteiro e do vizinho que deu uma de bombeiro, enquanto eu soluçava sem parar.

— Eu tentei… aí… estraguei tudo… coloquei fogo… sou a pior namorada do mundo — explicava, entre soluços.

Ele não entendeu metade da minha explicação.

Os bombeiros chegaram logo em seguida, interrompendo qualquer coisa que eu pudesse dizer. Ainda bem que o vizinho e o porteiro explicaram mais ou menos o que tinha acontecido, pois tudo que eu fazia era chorar. Quando conferiram que estava tudo certo e o fogo controlado, foram embora. Assim que todo mundo saiu, restamos eu, Mateus e o apartamento destruído.

— Eu só queria fazer uma surpresa… e estraguei tudo.

Mateus fez carinho no meu rosto e ergueu meu queixo para que eu o encarasse.

— Se não atrapalhasse um pouquinho, não seria você. E pode ter certeza que você fez uma surpresa… pra minha mãe, quando ela ver isso tudo.

Dei um tapa no braço de Mateus. Aquilo não era motivo para piadas!

— Ai! Tô brincando, desculpa.

Fiquei em silêncio alguns segundos, mas depois me virei para ele e disse:

— Me desculpa? Eu só queria que esse fosse um dia dos namorados inesquecível. E agora com certeza vai ser, mas pelos motivos errados… eu precisava mostrar o quanto te amo e quero você para sempre em minha vida.

Mateus deu um sorriso, um daqueles que iluminavam meu mundo e me tornavam uma pessoa melhor todos os dias.

— Mel, esse é só um dia. Nós vamos ter muitos outros. Eu te amo além de presentes e surpresas. E vou te amar para sempre. Você me coloca nas nuvens, eu te mantenho no chão. A gente se completa. Se não fosse isso aqui — disse, apontando para o apartamento incendiado — não seria você. — Ele me puxou e enfiou a cabeça em meu pescoço, sentindo meu cheiro. Em seguida, sussurrou em meu ouvido: — Além disso, a gente tem seguro contra incêndio.

Eu caí na gargalhada. Mateus era tudo que eu precisava e mais um pouco.

Ele puxou do bolso uma caixinha – o presente que eu havia vasculhado o quarto à procura. Eram duas alianças de compromisso, com nossos nomes gravados na parte interna. Mateus colocou uma aliança em meu dedo e disse:

— Feliz dia dos namorados, Melissa. Eu te amo.

Peguei a outra aliança na caixinha e coloquei no dedo dele.

— Feliz dia dos namorados, Mateus. Eu também te amo.

— Para sempre?

— Para sempre.

(Créditos da foto destacada)

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